quinta-feira, 2 de março de 2017

Conflito de Interesses

Conflito de Interesses

Enquanto um quiser brigar
E outro apenas amar ...
Haverá sempre um intransponível
Conflito de opostos interesses
Entre os objetivos básicos
Dos membros dessa sociedade
Limitada pela divergência
Da concepção final
Daquilo que juntos
Um dia pensaram
Ser um sonho conjunto
E o desgaste intermitente
Dessa constante interação
Marcada pelo silêncio e introspecção
Transmutou encantos em pesadelos
Podendo colocar um ponto final
Em uma história que tinha tudo
Para ser infinita...

Luís Roder  )

O Direito de Ser Infeliz

O Direito de Ser Infeliz

Todos possuem o  direito
De continua e incessantemente
Procurarem a infelicidade
Nos lugares mais imperceptíveis

E com isso alimentarem
O seu desejo masoquista
De acharem culpados,
Previamente condenados,

A responderem e aplacarem
A sua inabilidade interior
De quem não nasceu para desfrutar
Dos árduos milagres da felicidade

Esculpidos nas pequenas coisas
Do cotidiano de uma convivência
Impossível de ser correspondida
Na escolha de caminhos opostos.

Luís Roder )

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Reinventando O Amor

Reinventando O Amor

Na nossa segunda volta
Em torno do Sol,
Agora fazendo a rotação
Integralmente juntos,
Nos redescobrimos,
Entre silenciosos hiatos
E aconchegantes abraços apertados,
Com novos olhares
Sobre os antigos encantamentos
Meio que desbotados
Pelo excesso de exposição
Mas compensados pela disposição
Em fazermos novos feitiços surgirem
Com o exercício contínuo 
De novas formas de utilizar
O elemento fundamental
Da nossa consonante alquimia.

Luís Roder )

sábado, 27 de agosto de 2016

E Vamos Passando...

E Vamos Passando...

Em espantosa surpresa
Nos damos conta
De que já estamos quase
No meio do ano!

E dizemos instintivamente
Com uma sombria resignação:
"Nossa como o Tempo
Passa tão rápido!"

Mas lá no fundo,
Sabemos melancolicamente
Que esse inevitável algoz
O Tempo

Sempre esteve parado.
E quem passa rápido 
pela etérea vida
Somos nós!...

Luís Roder )

Ausência

Ausência

Todos em volta
Relembram, entre risos
E muitas lágrimas,
Todas as suas histórias
A preencherem a sala
E tornarem a sua ausência
Ainda mais gritante...

E aquele invólucro
Que um dia prendia
A chama a mover
Toda essa mitologia particular,
Agora em ensurdecedor silêncio, 
Cede lugar à inércia coletiva
Da constatação inevitável:

De que um dia
Tudo o que restará 
De todos nós,
Sem nenhuma exceção,
Será um monte de lendas
Cujo tendencioso narrador 
É a impiedosa saudade...

Luís Roder )

Timing

Timing

Nessa insensata correria,
A qual demos o nome de vida,
A constatação inevitável
De um conhecido clichê
Se torna essencial
Na elaboração de tudo o mais...

"Na hora certa, no lugar certo."

Pois não basta querermos 
As mesmas coisas
Se elas não se alinharem
No tempo espaço
Da falta de tempo
Desse louco cotidiano
Sem espaço para nada!

Luís Roder )

Rindo De Volta

Rindo De Volta

Tudo o que sabemos
É que essa tragicomédia
Criada por nós seres
Megalomaniacamente egocêntricos
E autointitulados humanos
Se desenrola num palco muito maior
Do aqueles limitados limites
Da nossa comiserante imaginação
Não alcança
Pois essa vida é uma piada,
Muitas vezes tão sem graça,
Em uma pegadinha cósmica
Sem ninguém, além de nós,
Prestando atenção
Ou a levando a sério
E por isso mesmo
É que devemos rir dela de volta
E a curtirmos intensamente
Como se não houvesse amanhã!...

Luís Roder )

A Velhice É Um Conjunto de Ironias...

A Velhice É Um Conjunto de Ironias...

Ah a velhice...
E seu cruel conjunto de ironias:
É estar pronto 
Para finalmente compreender
Tudo aquilo 
Cujo doce sabor
Você não poderá mais desfrutar...

Luís Roder )

Entre A Aspiração & A Expiração

Entre A Aspiração & A Expiração

Entre a primeira aspiração
Com os nossos pulmões ardendo
Ao sorvermos o sopro inicial
De uma vida a prometer
Inúmeras possibilidades
De sermos o que quisermos
Buscando uma felicidade
A justificar uma tênue e fugaz
Existência irreal...

E terminarmos com a última
E derradeira expiração
Em um cerrar de olhos final
De que tudo isso foi em vão,
Mas que, mesmo assim,
Valeu a pena ter tentado
Ir além do que nunca fomos
E nem um dia seremos...

Luís Roder )

E Realidade Se Contorce

E Realidade Se Contorce

Torcendo a realidade
Num plano imaginário
Em que o Universo cabe todo em si 
Em algo menor que um átomo.

E sua intermitente expansão
Das suas partículas imaginárias
A viajarem no tempo imaginário
Em um mundo fantástico
Que não existe fora da mente dos teóricos...

Onde uma matéria obscura
Dá forma e espaço ao inimaginável
E nos pergunta respondendo
Qual é o grande plano
Por detrás desta ostentação
De constante criação e destruição?

Luís Roder )

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Doce Ilusão

Doce Ilusão

E a doce ilusão 
De não estarmos mais sozinhos
No controle das coisas,
Nos traz um fugaz conforto
De podermos fazer planos
Com um inefável selo
De para sempre!...

E o para sempre e ontem,
Ilusões criadas pelos homens
Para amenizar a responsabilidade
Do impassível agora
A demandar com a sua voracidade
Uma atitude frente à vida
Que passa sem pestanejar
Por todos nós sem piedade,

Ficam sendo medidas
Cujo valor dependerá sempre
Da coragem de querermos domar
As ondas do mar revolto
E ainda ficarmos surpresos
Por nunca conseguirmos!
Porém sem nunca deixar
De continuar tentando...

Luís Roder )

E A Culpa É de Quem?

E A Culpa É de Quem?

O ser humano sempre tem
Um responsável para suas escolhas,
Sejam elas iluminadas
Por uma força superior,
Onde o mérito é geralmente
Dividido com orgulho disfarçado
De uma duvidosa modéstia,

Ou o ônus de arcar 
Com as inevitáveis consequências
Em que a culpa pode ser
Facilmente posta na conta
Do ser mais requisitado da criação
Para amigavelmente aceitar
Uma escolha pessoal
E intransferível

De um ser dúbio
E com uma megalomania
De fazer inveja
A qualquer outra criatura
Dessa trágica comédia
Criada por ele próprio
Para dar sentido
À sua patética existência.

Luís Roder )

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Um Monte de Mentiras

Um Monte de Mentiras

Várias das muitas verdades,
Quase absolutas, cujos ecos
São ouvidos por tantos lugares,
Se edificaram fortemente
Em uma única mentira
Que foi contada e recontada
Por tantas vezes...
Em tantos lugares...
Por inúmeras pessoas
Tão diferentes...
Se metamorfoseando
Em uma incontestável certeza 
De origem obscura e duvidosa
Que ao questioná-la, 
Talvez um dia,
Ó heresia!,
Sejamos penalizados
Por estarmos do duvidoso lado
Da verdade disfarçada de mentira!

Luís Roder )

sábado, 30 de janeiro de 2016

Rei dos Reis ( ... do Marketing )

Rei dos Reis ( ... do Marketing )

Dentre tantos frutos 
De delícias indescritíveis...
Colocar apenas um,
Com um misterioso 
E sedutor:
"Proibido provar!"

Luís Roder )

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Ironia Digital

Ironia Digital

A grande ironia da era digital
É estarmos simultaneamente
Conectados e separados
Apenas por alguns cliques
Pelas sedutoras telinhas de touch screen 
Repletas de vazias promessas existenciais
Feitas de pixels e ilusões.

Luís Roder )

Perigosa Criação

Perigosa Criação

O pior perigo
De criar uma verdade,
Tão absoluta e real,
Para si mesmo.

É acreditar tão piamente nela,
Independente da sua veracidade,
Que precisamos ratificá-la
Na aprovação alheia.

Ah... mas se isso não puder acontecer...
Só temos duas alternativas:
Aceitá-la como é de verdade
Ou viver em ilusória negação!

Luís Roder )

O Pai de Deus

O Pai de Deus

E o criador?
De onde veio?
Quem o criou?
Onde morava antes de tudo?
Quem lhe inspirou a explodir o átomo?
Quem lhe aconselhou a dividir tudo 
Entre Céu e Inferno?
Quem o instigou a elaborar
O vazio existencial
E preenchê-lo com uma esperança
A impressionar até os mais céticos?

Perguntas e mais perguntas...
Que só o Pai do Pai
Poderia responder,
Mas como Seu divino filho
Ele prefere resolver
Essa insondável e polêmica equação
Na eloquência do silêncio...

Luís Roder )

Verdadeira Loucura

Verdadeira Loucura

Loucura não é acreditar
Em Céu ou Inferno,
Ou não crer em nada,
Ou em alienígenas ou espíritos,
Ou em X-men ou sacis...

Loucura mesmo é brigar
Com os outros
Tentando coletivizar 
A intransferível visão particular
Da sua doce insanidade
De tentar dar sentido
Ao que não pode ser explicado!

Luís Roder )

Um Novo Olhar

Um Novo Olhar

Às vezes para podermos ver
O mundo com novos olhos,
E permitir que alma mude,
É preciso fechá-los,
Para que eles não se corrompam,
E deixar a mente se expandir
Para que novas realidades
Se desdobrem ante nossos pés
A trilharem confiantes
Até os mesmos caminhos de sempre
Mas com destinos diferentes...

Luís Roder )

Outra Primavera

Outra Primavera

Gaia girou novamente
Em seu próprio eixo
E descobriste silenciosamente
Que tudo continuava o mesmo...

Mas como todo encantamento
Precisou fechar os olhos
Respirando profundamente
Para sentir que não eras
Mais a mesma!

Desde que deixaste o castelo,
Sem nunca ter abandonado o reino,
Em busca da felicidade plena
Que tanto mereces!

Florescestes e sentes o auge
Da primavera da tua história
Com novos caminhos a se desvelarem
Ante teus ávidos pés.

A qual conquistarás
Não importando o que te aconteça!
Por ser escritora tão hábil
Da tua singular lenda.

Sentindo, descobrindo,
Amando e vivendo...
Sendo uma nova pessoa
Um dia de cada vez...

Luís Roder )

Os Fantasmas Ao Longo da Vida

Os Fantasmas Ao Longo da Vida

Os fantasmas que carregamos
Ao longo da vida
São alimentados avidamente
Com a energia vital
Dispendida por nós
Remoendo incessantemente
Fatos ou situações que se foram...

Mas apegados como somos,
Alguns de nós tão masoquistas,
Não as deixamos irem embora
Junto com o tempo
Cuja sabedoria deveria
Curar essas feridas.

Luís Roder )

domingo, 29 de novembro de 2015

Mar de Lama

Mar de Lama

E o que todo mundo
Sempre soube foi gravado 
E por isso sacramentado
Cujo prisioneiro privilegiado
Plantou o medo no coração
Dos seus engravatados pares
Independente das suas cores
De que a ponta do iceberg
Vai devastar todos
E toda lama invisível
Se misturou àquela outra
Cuja população engoliu
Regurgitando metais
Colocando tudo para fora 
Do seu caminho em direção
De um mar, agora doente,
Na vã esperança
De que todo esse caos
Nos faça aprender 
Uma lição tão óbvia, 
Mas insistentemente
Ignorada.

Luís Roder )

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A Arte de Contar Histórias

A Arte de Contar Histórias

A arte de contar histórias traz em si responder à necessidade primária dos ser humano de perpetuar a sua existência e repassar os seus conhecimentos às gerações posteriores.
Isso vem sendo feito desde os primeiros pictogramas das cavernas dos nossos ancestrais na busca em deixar registrado as suas lutas cotidianas e alertar as futuras gerações de como deveriam proceder ante aos perigos a serem enfrentados.
Com o desenvolvimento da oralidade e com o tempo restante que começava a sobrar, com os parcos confortos alcançados pelas descobertas dos homens, surge também outro objetivo: explicar os fenômenos que os cercavam como o amanhecer, a morte e todos os sortilégios que a natureza e o mundo fenomenológico mantinham ocultos aos seus curiosos olhos.
Essas histórias passam a ficar cada vez mais elaboradas e também fantasiosas, mesmo trazendo em si verdades absolutas de determinadas épocas, até que outra descoberta as desmentisse e pudesse gerar uma nova versão das mesmas.
E esse fenômeno vai acontecer em todos os lugares do mundo, se desenvolvendo de acordo com especificidades regionais, mas mantendo um traço em comum: contar e registrar a história de um grupo e repassar conhecimentos de suas regiões.
Lembrando que esses conhecimentos específicos têm relação direta com o seu dia a dia e a região em que moram, onde em lugares tropicais a selva e as chuvas terão destaque e lugares áridos a sobrevivência e a necessidade de preservar alimentos e água, ou em locais em que o gelo e as épocas de se preparar para as temporadas de nevasca por exemplo.
Além disso, elas trarão as grandes questões da vida como o nascimento, a morte, os rituais reproduzidos por cada grupo e seus respectivos significados e simbolismos. Também repassarão conceitos de comportamento e conduta, seja com bons exemplos dos seus protagonistas ou “morais” reportadas e penalizadas por seus antagonistas.
Com o advento da imprensa e as trocas comerciais entre regiões diferentes, esse processo se difundirá de tal modo que surgirão as fusões entre as diversas histórias contadas no mundo e a sua interação, além da descoberta das semelhanças de comportamento, assim como a surpresa das diferenças em ver as mesmas coisas observadas em regiões e culturas diferentes.
Mas acima de tudo, nada é mais intenso e prazeroso do que ouvir uma boa história contada com gestos largos, expressões exageradas e várias vozes diferentes a encantarem mentes ávidas por verem a magia do mundo que nos rodeia, para num futuro o descobrirem como ele é e novamente o travestirem de fadas, princesas, sacis, montanhas encantadas e vários outros seres ainda a serem criados pela imaginação humana na sua tentativa de amenizar a dureza de viver e tentar entender esse processo.


( Luis Antônio Roder )

domingo, 22 de novembro de 2015

A Morte À Espera

A Morte À Espera

O sentido da vida
Só se apresenta
Ante à inevitabilidade
De antes de cerrarmos os olhos,
Talvez pela última vez,
Pois nem isso sabemos
Também ao certo,
Buscarmos uma eternidade
Falsamente confundida
Com uma imortalidade,
Onde numa entrevista
Com um vampiro,
Possamos descobrir que a experiência
Acumulada em um corpo mortal
A esvazia de sentido
Justamente por ela se repetir,
Contínua e infinitamente,
Nos mesmos ciclos
Em diferentes eras
Das mesmas coisas de sempre...
Sempre sem sentido real.
E se isso não tiver,
Um dia, um fim.
Então saberemos o que é
De verdade o inferno!

Luís Roder )

Aqui e Agora

Aqui e Agora

Estar no lugar errado
Na hora errada
Pode causar muitos problemas.
Alguns irreversíveis...
Tal como o ser humano
Cumprindo a sua divina missão
Tão sem sentido
Neste planeta,
Nesta era,
Neste Universo...

Luís Roder )

Todos Os Homens São Mortais

Todos Os Homens São Mortais

Todos os homens são mortais
E também dotados 
De uma fértil imaginação
A qual lhes permitiu
Criar deuses onipresentes
E de volta eles prometeram
Uma fictícia imortalidade
Àqueles que serão traídos
Inevitavelmente por si mesmos
Quando a inexistência
For alcançada por todos
E não houver mais
Nenhum ouvinte atencioso
De suas ególatras fantasias.

Luís Roder )

A Cerimônia do Adeus

A Cerimônia do Adeus

Estes últimos tempos
Têm sido marcados
Por essa crescente necessidade
De registrar e catalogar tudo
Para entendermos o óbvio
E tardiamente assumirmos
A vergonhosa culpa
De nos expulsarmos de um paraíso
Que nunca foi nosso
Mas mesmo assim o tomamos a força
E depois de brutalmente violentá-lo
Não tivemos mais coragem
De olhá-lo nos olhos
Na nossa inevitável despedida 
De mamíferos virais
Que não deixarão nenhuma saudade
Na nossa melancólica cerimônia do adeus.

Luís Roder )

Amenizando Tudo

Amenizando Tudo

O homem no objetivo
De amenizar a descoberta
Do sentido real de tudo,
Que obviamente é não existir
Real propósito nessa tragicomédia
Perpetrada inocuamente por todos,
Criou a arte como instrumento
A enobrecer a sua luta
Em dar a uma pergunta 
Sem resposta eficaz
Uma beleza trágica,
Tornando toda a sua fugaz epopeia
Muito mais suportável.

Luís Roder )

sábado, 14 de novembro de 2015

Imagine

Imagine

O poeta de Liverpool
Pediu um mundo sem fronteiras
E as pessoas todas juntas
Vivendo em paz...

Mas infelizmente, muitos,
Nesse insignificante planeta
Egoísta e dividido em facções,
Não tenham tanta imaginação assim!

Luís Roder )

Noite de Terror

Noite de Terror

A intolerância explode
Nas ruas da Cidade Luz
Disparando covardemente a esmo
Em pessoas inocentes
Espalhando coordenadamente
Uma mensagem clara
E sem sentido algum,
Podendo se repetir de novo
Interpretando divinas palavras
De um triste modo
A envergonhar até o seu Deus
Em qualquer lugar do planeta
De um mundo divido em estados
Que é de todos
Mas é um só!

Luís Roder )